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INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL (2008): uma análise

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Veja uma análise sobre Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, o quarto filme da saga cinematográfica do arqueólogo mais famoso do mundo.

“I have a bad feeling about this.”

Em 2008, o que era para ser uma trilogia, firmada em meio a férias no Hawaii, estava pronta para receber mais um capítulo. George Lucas, Steven Spielberg e Harrison Ford estavam unidos mais uma vez para a quarta aventura cinematográfica do mais famoso arqueólogo do mundo, Indiana Jones.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é um filme que reconhece o seu posicionamento de homenagem para a trilogia clássica. Para funcionar, era preciso repetir a essência dos filmes anterior, ao mesmo tempo em introduzir leves toques de atualizações, sempre seguindo a tendência blockbusters da temporada.

RESGATE DA TRILOGIA INDIANA JONES

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No quesito homenagem, o filme foi muito bem. Não foram inseridas dezenas de easter eggs com o objetivo final a nostalgia. Ao contrário, eles estão presentes, porém sem exageros, em uma história que flui sob a base de itens importantíssimos das tramas anteriores.

De Os Caçadores da Arca Perdida temos a busca pela Caveira de Cristal, um tesouro que, assim como a Arca da Aliança, possui poderes sobrenaturais e científicos, oferecendo ao seu conquistador a sabedoria e a força necessária para destruir o mundo. Nos outros dois filmes, esses tesouros oferecem poderes limitados a um interesse mais individual, como todo o poder sobre a Índia e o segredo para a vida eterna.

Com um clima sombrio (as cenas que envolvem os protetores e as tribos pré-colombinas são bem assustadoras), o filme pega muito do que foi visto em Indiana Jones e o Templo da Perdição. Ambientes escuros e um clima de mistério por todo decorrer do filme, fazem dele o segundo mais assustador da série.

E por final, temos o elemento essencial para tornar Indiana Jones no herói carismático que é hoje. O elemento familiar. Se em Os Caçadores, o laço afetivo de Indy era apenas um jovem romance com Marion e em O Templo, o envolvimento é puramente temporário com a cantora Willie Scott, em Indiana Jones e a Última Cruzada, seu maior sentimento e relacionamento é com o seu pai, professor Henry Jones, no papel da lenda Sean Connery. Assim como em O Reino da Caveira de Cristal, com a introdução de Mutt Williams, filho de Indiana Jones.

Vale lembrar que o desfecho da aliança com Marion só realizado na última cena do filme, durante o casamento dos dois. Esse elemento foi essencial para dar um toque mais puro e heroico à personagem e afastá-la da imagem do arqueólogo garanhão, representado com mais foco nos dois primeiros capítulos.

Após descobrir sobre a existência de seu filho, em uma incrível cena com cobras, Indiana Jones ganha ainda mais características presentes no terceiro filme, com o seu nervosismo clássico, intercalado com por esporros e surtos exageradamente hilários.

SÍMBOLOS CLÁSSICOS E HUMOR

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E se a história principal soube homenagear as aventuras anteriores dentro de sua trama, com as referências e os símbolos obrigatórios da série não foi diferente.

O humor pastelão, item obrigatório em uma película de Indiana Jones, ainda mais por se tratar da principal sugada/homenagem aos seriados de aventura da década de 30, está presente junto de tiradas clássicas clichês (criados pelo próprio filme), que facilmente fariam parte dos três roteiros anteriores.

John Williams e sua explosiva fórmula podem enjoar com o passar dos tempos, mas não quando se trata de um filme de Indiana Jones. Com temas que variam da clássica aventura a sopros e sussurros delicadamente metálicos e misteriosos, a trilha, digna de uma aventura/ficção, encaixa cirurgicamente com o filme. Ouvindo ela, podemos dizer que John Williams soube johnwillizar o teremim (instrumento muito utilizado nas trilhas sonoras dos filmes de ficção científica da década de 50).

E mesmo com essa avalanche de homenagens e obrigações da saga, ainda temos as referências. Algumas mais gritantes, como o close na caixa que guarda a Arca da Aliança, e outras mais sutis, como no caso da estátua do reitor Marcus Brody e da foto do pai de Indiana, professor Henry Jones, personagens icônicos do universo Indiana Jones.

INDIANA JONES E OUTROS PERSONAGENS

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As personagens do filme funcionam muito bem. Harrison Ford, apesar de bem mais velho, soube manter a pose, os desleixos e a postura de Indiana Jones, assim como Karen Allen, que retornou igual a Marion Ravenwood de Os Caçadores, forte e importante para todo o desenvolvimento da aventura. Com certeza, o melhor par amoroso de Indiana. Sem dizer a química natural que os dois atores conseguem transmitir quando estão juntos em cena.

Cate Blanchett está fantástica, segura e, até, assustadora, como Cel. Irina Sapalko (e que sotaque da hora que ela fez!), além de John Hurt (que nerdice!), que rouba a cena como o atordoado (porque o deixaram assim) professor Oxley.

A única personagem controversa presente na história é Mutt Williams, filho de Marion e Indiana e interpretado por Shia LaBeouf. Muita gente não gostou e falou que ele nunca será o Indiana (e de fato não será, vide a última cena do filme em que Indy tira o chapéu das mãos de Mutt). E nem acho que esta foi a intenção da personagem em toda película. É nítido que ele possui os elementos que Indy possui, porém eles são tão diferentes no real da personagem, que mostram claramente não ser uma personagem rasa e clone da principal. Indy tem o chapéu, Mutt a boina. Indy o chicote, Mutt a faca. Um é professor, o outro um rebelde sem causa. Ele cresceu longe do pai. São diferentes, e por ser um personagem bem desenvolvida, cria laços que funcionam com a principal, ao mesmo tempo que adiciona novas características ao grupo aventureiro e ao discorrer de suas as cenas.

A CAVEIRA DE CRISTAL

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Um outro elemento que causou incômodo em parte geral do público, foi a escolha do artefato principal da aventura, a Caveira de Cristal.

Muitos apontaram que o filme ofende os anteriores ao tentar partir para algo mais ficcional, com caveiras não pertencentes ao nosso mundo. Entretanto, a caveira de cristal é um dos principais enigmas ainda não solucionados pela ciência.

Lendas que dizem que as caveiras eram como guardiãs de conhecimento e história são contadas desde o seu descobrimento. Pinturas pré-colombianas que ilustram seres com crânios mais alongados, alguns presentes nas caveiras descobertas, alimentavam ainda mais o mundo científico. Tanto que, com o boom alienígena causado pelo Caso Roswell, muitos cientistas e arqueólogos logo passaram associar a alta tecnologia das antigas civilizações a deuses e seres superiores descidos do espaço. O ápice destas teorias ocorreu com o lançamento do livro, Eram Os Deus Astronautas?, de Erich von Daniken, o qual aponta inúmeros fatos (muitos em casos bizarros!) e teorias que instigam a presença alienígena no passado de nossa civilização.

Uma excelente escolha para pegar um dos principais temas do cinema da época, e na qual se passa o filme (1957), e misturar com toda a aventura arqueológica obrigatória da série.

UM SCI FI B NOS ANOS 50

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Homenagem aos filmes B de ficção científica da década de 50. Este é o principal objetivo do filme. Com cenas que narram inúmeras características da década, principalmente do american way life, o filme é uma aula do que foi a década de 50.

Nele, são vistas a paranoia anticomunista (Indy é um suspeito para o FBI e os russos atacam a área 51), o medo e estudos sobre a energia nuclear (Indy sobrevivente graças a uma geladeira, ironizando o exagero inocente das propagandas transmitidas pelo governo sobre como se proteger de ataques nucleares), monstros gigantes (que nos clássicos são animais afetados pela radiação e que no filme são apresentados de forma mais real, com as gigantes e carnívoras saúvas da Amazônia), inimigos infiltrados (a traição de Mac), a corrida espacial (o mini foguete que Indy liga sem querer na área 51) e fatos misteriosos engavetados pelo governo (Caso Roswell é citado e INDIANA JONES ESTEVE NELE!), ilustram um histórico geral da década.

Junto disso tudo, os alienígenas. Seres de outros planetas ou dimensões, inúmeras vezes representando comunistas (com suas roupas e aparências iguais e, quase, sempre, ditadores, sem sentimentos, com intuito de invadir o planeta Terra, ou Estados Unidos, hehe) em clássicos filmes B da década de 50, como Os Invasores de Marte e Os Devoradores de Cérebros.

A FALHA DO FILME

A falha de A Caveira de Cristal é que tentando ser nostálgico e atual, ele falha nesse segundo item.

A tecnologia oferecida durante a década de 2000, e muito utilizada nos blockbusters da época, acaba prejudicando o filme. Assim como George Lucas fez na prequela de Star Wars, o uso excessivo de CGI, e o grandiosismo exagerado que ele pode proporcionar, praticado por Spielberg no remake de Guerra dos Mundos, acabaram prejudicando o filme. As tomadas de ações, câmeras, cortes estão excelentes (Spielberg sabe fazer isso muito bem), mas o excesso de efeitos especiais acaba cortando um pouco a magia do filme.

E foram, justamente, as cenas que exigiram esse exagero de efeitos (explosão nuclear, formigas carnívoras e macacos no cipó, mesmo as duas primeiras sendo bem legais para todo o contexto do filme) que acabaram deixando um gosto de que poderia ter sido mais Indiana Jones.

INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL | análise geral

No geral, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal cumpre bem o seu papel de homenagem à trilogia original, atualiza o universo do arqueólogo com inúmeras informações dignas de suas antigas aventuras, diverte em mesmo nível do que os anteriores, porém peca no quesito atualização cinematográfica.

Cravo 3,5 estrelas, afinal, ver Indiana Jones em grande estilo e em uma divertida aventura, pela primeira vez com a América como cenário principal (local da primeira cena de Os Caçadores da Arca Perdida), que envolve mistérios de outros mundos, é muito bom!

Ainda mais com o filme sendo coroado em seu final, com Indiana Jones aceitando a existência de outros mundos e dimensões no espaço e exclamando “I have a bad feeling about this”, frase clássica, e muito usada por Han Solo, também Harrison Ford, na saga Star Wars.

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INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL | trailer

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